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Workaholics




Por Giovana Carvalho:

Comungo deste princípio: somos seres biopsicossociais, e tratar a questão do workaholic  é tratar da dinâmica comportamental, das afetações sociais que esta conduta proporciona e das conseqüências somáticas que atingem este indivíduo.

Atualmente podemos perceber uma distância quilométrica entre valores pessoais e necessidades reais.

Assolados pela mídia, pressionados pelo status social e minados na auto-estima dos que não dão conta de ser um modelo vencedor, vemos náufragos em luta insana por um destaque muitas vezes digno de um deus do Olimpo.

Parcialmente cegos e incapacitados de admitir fragilidades, os workaholics priorizam o mundo corporativo em detrimento da sua própria essência e para traz deixam a família, a espiritualidade, a saúde e o convívio puramente social, focados permanentemente em construir e sustentar uma rede de negócios.

Com seu desempenho e seu trabalho insano, tentam provar sua “capacidade” de serem “vencedores”.

É natural que o ambiente empresarial promova nesses indivíduos o estímulo de valorizar o negócio em detrimento das pessoas. Também sou administradora e entendo, por ter passado por cargos operacionais, táticos e estratégicos que os workaholics são na verdade vítimas de suas próprias armadilhas onde criam e gerem empresas focadas exclusivamente em resultados financeiros e ignoram aqueles que as constroem.

E se incluirmos no balancete de cada uma dessas empresas os custos dos remédios e tratamentos que sustentam todo este esforço? Será que ainda assim teríamos resultado positivo?

E se debitarmos também valores intangíveis como a perda de qualidade de vida?

Como coach de executivos e psicanalista, ouço diariamente sofisticados discursos de executivos responsáveis por grandes empresas, que tentam justificar o seu vício. Em sua minoria estão aqueles que chegam ao programa de coaching com uma conduta emocional madura que se reflete em uma estrutura de vida mais equilibrada e sustentável.

É o big boss que se cerca de gestores frágeis para comandar sem sentir-se ameaçado, e com isso gera uma enlouquecida rede de dependência sem a qual não sobreviveria sem ele. Eis um circulo vicioso perfeito. O resto (viver) torna-se microscópico aos seus olhos.

É a executiva que não suporta falar em relacionamento amoroso, afinal adotou a empresa e como grande mãe não sustentaria deixá-la em segundo plano.

Pais em fuga da paternidade, que não traz em seu escopo qualquer menção de manuais, planejamentos estratégicos, índices concretos e viáveis.

Business Inteligence não mensura a gravidade dos relacionamentos em crise, casamentos frustrados, famílias em desalinho.

Espiritualidade torna-se inquestionável, não por oportunizar avaliar as diferenças, mas porque não é projetizável para que se possam avaliar riscos, tempo, recursos, qualidade, comunicação.

Ficam então instalados buracos biopsicossociais que geram culpa e solidão, além de demandarem suas respectivas compensações. As mais comuns são comida, agressividade e relações superficiais.

A comida para aplacar a ansiedade, a agressividade para dividir a culpa por negligenciar a própria vida e a construção de relacionamentos frívolos que sustentam um gozo fortuito e descomprometido.

O coaching pode vir a ser uma ferramenta bastante assertiva para ajudar a diagnosticar as sofisticadas armadilhas pessoais estruturadas por estes executivos e estimular o desenvolvimento de uma consciência, uma responsabilidade e uma autoconfiança capazes de viabilizar uma efetiva mudança.

Um desempenho de alta performance é construído de forma focada e inteligente. O esforço despendido deve ser aquele capaz de produzir resultados assertivos e de longo prazo. Uma Ferrari da Fórmula 1, por exemplo, tem uma excelente performance por 2h e é inadequada para a maratona de 24h de Le Mans. Não basta ser uma Ferrari!

Trabalhar obsessivamente e compulsivamente parece o mais sensato a fazer, afinal viabiliza a fuga de encarar a vida e comprometer-se a mudá-la, além de ser digno de promoção e retorno financeiro.

Preciso pontuar: este trabalho insano dignifica o homem?

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